A Jornada que Atravessa Oceanos
- Fábia Reverbera Lombardi Martins de Souza
- 11 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Ao longo deste ano, algo silencioso e poderoso aconteceu entre nós, Alexandre Berg e eu, e o nosso grupo de alunas chinesas de Pathwork®.
A cada quinze dias, quando as janelinhas se abrem na tela e os rostos aparecem — alguns tímidos, outros curiosos, outros carregando a intensidade de um dia já longo — sentimos que algo maior do que um simples encontro online começa a se mover.
No início, havia certa distância. Idiomas diferentes, culturas diferentes, histórias tão diversas quanto os fusos horários que nos separam. Mas havia também um fio invisível que nos unia: a busca pelo eu real.
E foi por esse fio que, encontro após encontro, uma trama delicada começou a ser tecida.
Elas começaram a compartilhar pequenas aberturas — momentos de perceber sensações internas, memórias guardadas, emoções que antes pareciam distantes demais ou grandes demais para serem nomeadas. E nós, do outro lado da tela, testemunhamos cada uma delas cruzar portais internos que nem sempre são fáceis de atravessar.
Houve relatos de reconectar com a própria voz depois de anos de silêncio. De finalmente reconhecer um medo antigo que guiava decisões sem que percebessem. De enxergar, pela primeira vez, não apenas as expectativas externas, mas o brilho próprio que sempre esteve ali — escondido, mas vivo.
A cada encontro, um lampejo.A cada partilha, uma expansão. A cada exercício, um pedacinho do eu real emergindo.
E algo belo começou a acontecer: elas passaram a reconhecer-se umas nas outras. O que uma revelava ecoava no coração das demais. O que outra atravessava iluminava o caminho do grupo. Houve choro, houve riso, houve silêncio profundo — aquele tipo de silêncio que só existe quando uma alma está se reorganizando por dentro. E houve também um momento especialmente tocante, quando uma aluna compartilhou que se sentia mais à vontade para se expressar em inglês, mesmo estando com colegas chinesas, porque aquilo que estava descobrindo era tão delicado, tão recém-nascido dentro dela, que ainda não encontrava espaço seguro para ser dito em sua própria língua materna. Esse gesto revelou a sensibilidade, a profundidade e as nuances culturais que atravessam esse trabalho.
E nós, como facilitadoras, também crescemos. Porque cada dúvida delas nos convidou a clarear nossa própria verdade. Cada vulnerabilidade delas nos lembrou da coragem que existe na entrega. E, especialmente, nos momentos em que elas nos pediam para partilhar nossas próprias experiências de crescimento emocional, fomos chamadas a revisitar nossa história, reconhecer nossas sombras, celebrar nossas conquistas internas e nos mostrar inteiras diante delas. Cada uma dessas partilhas abriu um espaço de troca genuína, onde ensinamos e aprendemos ao mesmo tempo. Cada transformação que testemunhamos nos fez acreditar ainda mais no poder desse trabalho que atravessa fronteiras e toca o que é essencial.
Hoje, quando olhamos para esse grupo, vemos não apenas alunas.
Vemos mulheres que se permitiram florescer.
Vemos processos autênticos de despertar.
Vemos a força de um caminho feito em conjunto.
E sentimos, com gratidão profunda, que essa jornada — embora online, embora física e culturalmente distante — é uma das maiores provas de que o trabalho interior não conhece barreiras.
Ele só reconhece uma coisa:a verdade vibrante do eu real que, quando encontra espaço, sempre nasce.




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